O corpo que já gritava
Por fora, parecia tudo normal. Mas por dentro, meu corpo já gritava. Eu sentia dores horríveis no abdômen, que chamava de "queimação" — porque parecia que estava pegando fogo. Era criança e não entendia o que estava acontecendo. Ninguém entendia.
O diagnóstico que mudou tudo
Em 2005, depois de muita angústia, veio o diagnóstico: doença celíaca. Na época, quase ninguém sabia o que era isso. Eu e meus pais aprendemos sobre quase tudo na marra. Era muito difícil encontrar produtos rotulados corretamente ou até mesmo com qualquer tipo de informação sobre glúten nas embalagens — mesmo que já fosse lei desde 2002.
O pior não era só cortar o pão. Era ir em festas e não poder comer nada. Ter vergonha de ir à escola por ser considerada "esquisita".
Os comentários que machucam
Já ouvi comentários de que inventei a doença celíaca pra chamar atenção. E não ouvia isso só de outras crianças, mas de adultos — médicos, familiares e professores. Quem vive com doença celíaca sabe: a incompreensão dói tanto quanto os sintomas.
A virada
Com o passar dos anos, eu aprendi a cozinhar, a trazer de volta os sabores da minha infância de uma maneira segura. Entendi que cuidar da minha dieta era a maior prioridade para ter uma vida saudável. E percebi que essa jornada não precisava ser solitária.
Por que criei o No Gluten Life
Foi por esse motivo que surgiu o perfil. Meu objetivo é poder ajudar, acolher e mostrar que viver sem glúten não é apenas possível — é também delicioso. Aqui você encontra informações, dicas de locais seguros, achados pelos mercados e alertas importantes.
Hoje sou também estudante de medicina, e a experiência como paciente celíaca desde a infância me deu uma perspectiva que nenhum livro ensina. São mais de 20 anos convivendo com a doença — e cada um deles me tornou mais preparada para ajudar quem está começando essa jornada agora.
Me acompanhe no Instagram. É lá que o dia a dia acontece: informações, receitas que funcionam, achadinhos de mercado e os bastidores da vida celíaca. @noglutenlife